Considero que implantar e implementar a gestão compartilhada horizontal em conselhos populares deverá ser um desafio incluído na pauta das inovações da sociocracia. Mesmo sendo espaços de participação voluntária com considerável representatividade, credibilidade inclusão e potencial participativo, necessitam de ferramentas e abordagens mais arrojadas para com as tomadas de decisão, desde a eleição dos componentes previstos em regimento como para tomadas de decisões previstas em suas pautas.

O conselho gestor é uma organização para governança de uma Unidade de Conservação. Ao introduzir padrões da Sociocracia S3 na formação e renovação dos Conselhos da Área de Proteção Ambiental Costa de Itacaré Serra Grande e do Parque Estadual da Serra do Conduru, duas Unidades de Conservação Estaduais localizadas no sul da Bahia, queremos possibilitar o acesso a um novo padrão organizacional de governança, buscando um maior equilíbrio e equitatividade nas tomadas de decisão.

Os seguintes padrões orientam o regimento destes conselhos: padrão de seleção de papel, padrão de reunião de governança, padrão de tomada de decisão ou criação de acordo por consentimento e participação criativa. Para a aprovação e inclusão dos mesmos foi aplicado o padrão de tomada de decisão ou criação de acordo por consentimento. Os padrões constam como anexo ao regimento e orientam a gestão compartilhada destas Unidades de Conservação, constituindo sua espinha dorsal.

Cotidianamente nestes conselhos, convivemos com padrões de governança oriundos da democracia representativa desde a movimentação para escolha de candidatos à secretaria executiva destes conselhos bem como decisões a respeito de situações criticas que surgem no decorrer da gestão. Estes padrões geram a formação e com o tempo a consolidação de grupos que concentram micropoderes, representando a formação e fragmentação desigual, espelho de nossa sociedade, o que exponencia negativamente as externalidades e internalidades da gestão.

A tentativa que aqui se descreve foi a de avançar de modo a criar um ambiente de maior equilíbrio entre as entidades que fazem parte do conselho, desenvolvendo uma melhoria da escuta ativa dos membros, dando vazão a argumentações amparadas mais em dimensões técnicas e vivenciais do que em dimensões de poder tendo como objetivo proporcionar a real dimensão do “Socius” (do Latim, socius, “parceiro”), consolidando um modus de pessoas que regularmente interagem umas com as outras.

Erika Campos

Erika Campos, Gestora da APA Costa de Itacaré Serra Grande, Oceanógrafa, Msc em Geologia Sedimentar e Costeira, Msc em Gestão e Desenvolvimento Social, Certificada em Ciências Holísticas e Economias para a Transição pelo Scumacher College Brasil.