texto original de Renato Caliari (ver original) 

Sociocracia Clássica

A palavra sociocracia — governo pelos companheiros (pessoas que têm relação umas com as outras) — foi cunhada em 1851 pelo filósofo Augustu Comte e depois utilizada num artigo de 1881 por Lester Frank Ward, que falou mais do assunto posteriormente em alguns livros de sua autoria.

O conceito teve início de sua aplicação prática com Kees Boeke na educação, o qual atualizou e expandiu o trabalho de Ward, implementando a primeira estrutra organizacional sociocrática em uma escola, na Holanda. Boeke usou tomadas de decisões por consenso, inspirado pelo grupo religioso Quakers, o qual ele parece ter descrevido como a primeira organização sociocrática.

Boeke definiu três regras fundamentais:

  • Os interesses de todos os membros deveriam ser considerados e o indivíduo deveria respeitar o interesse do todo.
  • Nenhuma ação poderia ser tomada sem a solução que todos pudesse
    m aceitar, e
  • Todos os membros deveriam aceitar as decisões de forma unânime. Se um grupo não fosse capaz de tomar uma decisão, a decisão deveria ser tomada pelo nível mais alto de representantes escolhidos por cada grupo.

O tamanho do grupo para tomada de decisões deveria estar limitado a 40 pessoas com uma pequena delegação de 5 a 6 pessoas para tomar decisões mais detalhadas. Para grupos maiores uma estrutura de representantes é escolhida por esses grupos para tomadas de decisões.

Entre o fim de 1960 e o início de 1970 Gerard Endenburg, um engenheiro elétrico e ex-estudante de Boeke, continuou a desenvolver e aplicou os princípios Boeke na companhia de engenharia elétrica que ele primeiro gerenciou e depois se tornou dono. 

Depois de anos de experimentação e aplicação Endenburg desenvolveu um método organizacional formal chamado Sociocratic Circle-Organization Method — SCM — , o qual inclui várias normas a respeito de Sociocracia. Todas decisões políticas, aquelas que dizem respeito a alocação de recursos e restrições de decisões operacionais, precisavam de consentimento por todos os membros de um círculo

Holacracia

Em 2001, Brian Robertson fundou a Ternary Software, uma startup de software que se tornou um laboratório para experimentos criados para responder a questão: o que permite as pessoas trabalharem juntas da forma mais eficiente possível?

A experimentação iniciou com um mergulho na cultura, valores e consciência da organização. Enquanto a companhia crescia, ela confrontou tensões estruturais, de processos e de tomadas de decisões que cultura não resolveria sozinha.

Em 2004, em resposta a esses desafios, a companhia começou a implementar os princípios e práticas ágeis de desenvolvimento de software, o movimento lean, sociocracia e vários outros métodos e modelos promissores. Cada uma dessas explorações produziram insights e revelaram limitações. O método que a Ternary foi desenvolvendo e iterando com o retorno de todos da companhia, começou a emergir e cristalizar em algo que permitiu maior autonomia, propósito-orientado, rápidas tomadas de decisão e evolução.

No início de 2007, o experimento mudou de Ternary para HolacracyOne, uma nova organização formada por Robertson e o empreendedor Tom Thomison para amadurecer ainda mais a Holacracia e empacotá-la para usar em outras organizações.

holacracia X hierarquia
Implementando sociocracia

Sociocracia 3.0

Em meados de 2015, James Priest e Bernhard Bockelbrink, decidiram devotar parte de seu tempo e desenvolver a Sociocracia 3.0.

Por amarem sociocracia, e por acreditarem que as organizações e seus membros prosperam quando a usam, decidiram desenvolvê-la e torná-la disponível e aplicável a tantas organizações quanto possível.

De acordo com eles, o nome “Sociocracia 3.0” demonstra tanto respeito para a linhagem quanto um passo significativo à frente. E, também ajuda a evitar a percepção deles estarem deturpando o Método Sociocrático — The Sociocratic Method — promovido pela The Sociocracy Group, fundada por Endenburg.

Assim, um dos objetivos foi também condensar os princípios essenciais da Sociocracia, em comparação ao Método Sociocrático que, de acordo com eles, quando observando todas as normas, pode parecer grande e assustador.

É um guia prático e flexível, baseado em princípios e de livre distribuição. A S3 propõe um conjunto de padrões e processos que podem ser adaptados para cada organização, incluindo padrões operacionais com métodos lean e ágeis.

Atualmente a S3 propõe cerca de 70 padrões para:

  • co-criar e evoluir 
  • desenvolver a estrutura organizacional
  • facilitar a co-criação
  • práticas de reunião
  • promover interações focalizadas
  • desenvolvimento em pares
  • construir organizações
  • organizar o trabalho
  • definir acordos
  • introduzir a S3

Em constante evolução

Ambientes complexos e em rápida mudança estão ultrapassando a capacidade de adaptação de organizações, comunidades e redes. Estamos sendo convidados a desenvolver soluções alternativas para cuidar de velhos problemas e a assumir uma nova perspectiva que honre tanto nossas necessidades individuais quanto a necessidade urgente de desenvolvermos organizações mais integradas, humanas e interdependentes.

Assim a Sociocracia vem evoluindo através do tempo, aprendendo com a prática e propondo novos formatos e padrões para poiar o desenvolvimento de organizações e projetos para um novo tempo.