Aldeia

  • Este Estudo de Caso apresenta um coletivo de famílias da Bahia – Brasil, que por afinidade de propósitos e forma de pensar, resolveram morar juntos.
  •  Este caso é útil para conhecer este tipo de assentamento intencional,

Baseado em famílias e vizinhanças auto escolhidas; o A Aldeia é um assentamento com focos na sustentabilidade, cultivo ecológico, liberdade de educar e criar os (as) filhos (as), desenvolver e replicar tecnologias de produção verde e bioconstrução. Para atingir estes objetivos, o programa de voluntariado é um dos seus principais instrumentos.

“Queremos criar nossos filhos sem cercas que nos dividam sobre todos os aspectos. ”

 

Dados e fatos relevantes

A Aldeia foi fundada a 15 km de Itacaré (BA) em 2011. Segundo Regina Célia Gonçalves Morão, que conviveu como voluntária no assentamento em 2016, tomando-o como base para sua dissertação de mestrado: este se autodenominava na época, como “um grupo de amigos e famílias que buscam viver juntos em harmonia com a natureza”, “para não ter casas que se dividam por muros” e “para ter junto pessoas que gostamos, para sonharmos e concretizarmos coletivamente”.

A Aldeia tem cerca de 45 hectares (um hectare é equivalente a aproximadamente um campo de futebol), na margem esquerda do Rio das Contas (sentido Itacaré). O acesso dos visitantes é pelo rio. A propriedade faz divisa com outras fazendas, com as quais tem interação e trocas econômicas. O terreno da comunidade conta com uma nascente, a qual utilizam para banho, lazer e de onde canalizam a água para as dependências da comunidade.

As primeiras lutas do grupo foram planejar o assentamento e integralizar o dinheiro, para compra da antiga fazenda de cacau escolhida para o assentamento, bem como o capital inicial para implantação de benfeitorias comuns, infraestrutura, etc. Como parte dos fundadores eram estrangeiros, para efeitos legais, constituíram uma empresa dividindo-a em cotas. Num primeiro momento moraram em instalações coletivas, as quais ficarão posteriormente como instalações auxiliares. As casas individuais das famílias foram bancadas pelas mesmas. Todo processo construtivo foi feito majoritariamente por mutirões, usando cerca de 80% de materiais locais.

Em 2012 começou a operar a antena de Internet. Isto era prioritário para os moradores, pois as atividades das famílias ou de seus provedores financeiros dela dependiam.

Desde o início do assentamento houve uma forte preocupação com a natureza e sustentabilidade no dia a dia, apesar de segundo MORÃO não se reconhecerem como Ecovila. Isto é sublinhado no vídeo de 2 anos de aniversário do assentamento (disponível no Facebook do Assentamento), onde lamentam a necessidade de trazer alguns materiais de construção de Itacaré, bem como com o descarte das embalagens. Mesma preocupação com alimentos industrializados ou beneficiados que trazem de Itacaré, para complementarem o que constroem e produzem. O uso de madeira “já deitada no chão”, procurando o mínimo impacto local é foco constante.

MORÃO em 2016, constatou que havia cerca de seis famílias, “com muitas crianças” alfabetizadas e educadas pelos pais conforme a legislação brasileira. Cada família trabalhava em atividades diferentes, produzindo renda para si e cotizando despesas operacionais comuns (cozinheiras, auxiliares, manutenções, etc.). Duas famílias trabalhavam na fabricação de produtos com matéria prima local e venda pela Internet. Os restantes das famílias viviam de trabalho freelancer, captando e entregando serviços pela Internet, cursos dados no assentamento e online. Relevantes foram as trocas e aprendizagens com o voluntariado, bem como cursos em parceria ofertados na comunidade.

Em meados de 2016 o assentamento tomou novos rumos, com parte dos fundadores se afastando. Isto em grande parte devido a insegurança no entorno da

propriedade e novos caminhos que algumas famílias fundadoras queriam trilhar. As famílias que permaneceram verificaram que os sonhos originais eram fortes e factíveis, mas era necessário novo planejamento, com participação maior do voluntariado no cotidiano do assentamento.

No início de 2017 aperfeiçoaram o voluntariado e vivencias presenciais, principalmente em Cultivo Sustentável e Bioconstrução, agora como atividades base das famílias que permaneceram. A produção e venda de produtos naturais é feita pelo assentamento unindo estas famílias e voluntários de mais longo prazo na coordenação – isto é um marco importante pois agora moram e geram renda juntos, de forma sustentável e dentro da mesma filosofia de vida – o sonho continua.

Os trabalhos das visitas/voluntários são planejados e organizados pela comunidade, num planejamento de médio e longo prazo. Um ótimo exemplo é a Casa do Voluntário (foto abaixo). Belíssima construção, feita durante as vivencias de Bioconstrução. Importante sublinhar o uso de banheiros secos, telhado verde, padrões bioconstrutivos, produção de mobiliário ecológico, de parceria com arquiteta vizinha da propriedade – que projeta dentro desta filosofia e contribui para um estilo próprio do assentamento.

O projeto de voluntariado agora se chama Terra Preta, consolidando a intensão e filosofia original do grupo. Como as vivências são boas, o boca a boca se torna o principal marketing do projeto. Projetos especiais de cursos in loco são estudados.

Governança

No início a governança foi imaginada como um coletivo de pessoas e famílias, com a mesma filosofia de vida sustentável, pró-natureza, respeitando as individualidades de cada família e dentro dos limites fixados no contrato de cotas.

Como as pessoas eram muito qualificadas em termos de vivências coletivas e profissões, houv resistências em adotar modelos de gestão de forma continua e considerados “burocráticos”, a exceção do Consenso, que foi adotado desde o início como forma decisória.

Espaços colaborativos informais como festas, visitas mútuas as casas, rituais e refeições coletivas criam vínculos entre os fundadores e voluntariado, o que vem a facilitar o processo decisório coletivo.

O uso de espaços formais e informais são exemplificados no primeiro em reuniões de cotistas/fundadores com atas ou memórias e na distribuição de tarefas diárias. No segundo, majoritariamente para resolver problemas cotidianos quer pessoais ou de gestão.

O curso de Comunicação não Violenta (CNV) feito pela comunidade logo no início, foi fundamental para mudanças positivas individuais e coletivas.

Desde que o assentamento foi constituído, ficou acordado que pelo menos 4 horas diárias, são de serviços para comunidade. Isto vale para fundadores ou voluntários. Na Aldeia os voluntários trabalham de manhã, das 7h30 até as 11h30. Semanalmente, durante as reuniões de planejamento e avaliação, são escolhidas duplas de voluntários. O trabalho dos voluntários é rotativo e consiste em: fazer o café da manhã, cuidar da horta, ajudar na construção de outras casas com técnicas de bioconstrução, preparar o almoço e trabalhar na produção (óleo de coco, tahine, creme de cacau, etc. para venda em Itacaré, outras comunidades e online). O restante do dia é livre para cuidar de seu local de moradia, lazer ou autoconhecimento.

Os serviços são coordenados por membros fundadores e voluntários que estão no assentamento a mais tempo. Há também jantares de celebração onde todos participam do preparo. Nesta ocasião alguns vizinhos do assentamento são convidados, aumentando os vínculos e segurança de todos.

O Dragon Dreaming. – Sonhar, Planejar, Executar e Celebrar (avaliar, corrigir rumos e comemorar), foi utilizado no início do assentamento e pontualmente ao longo do tempo. Práticas como o Círculo Sagrado e o Bastão da Fala, deram suporte as reuniões formais e informais. Desde o início não houve distinções de gênero nos processos decisórios.

Considerações Finais

Esta é a Aldeia, cujo sonho e engajamento persistem. Agora com base filosófica e de monetização unificadas, com conhecimentos e vivencias para compartilhar com novas famílias, voluntários e visitantes.

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