Imagine-se num lado do rio. 

Você quer chegar a um certo lugar no outro lado. Talvez você queira chegar lá levando certas coisas (ou não). Certamente imagina um certo limite de tempo para ir, mesmo que não esteja totalmente determinado. Existem certas condições que influenciam na travessia: o tempo, as embarcações disponíveis, sua saúde, sua força (caso tenha que remar, por exemplo), etc.

Qual a melhor maneira de atravessar o rio? Aquela que oferece menor risco de não chegar no lugar desejado, dentro do tempo esperado, com a bagagem prevista. Muitas vezes temos a tendência a imaginar que o melhor é o mais bonito, o mais forte, o mais vistoso, mais caro, ou seja, o mais tudo. Se simplesmente queremos chegar do outro lado, que diferença faz ir de lancha ou de jangada? Se o importante é nossa mochila, qual a relevância em levar mais bagagem, mesmo que caiba no barco? 

Se queremos fazer compras do outro lado, ir de lancha pode ser mais caro e corremos o risco de chegar lá com menos dinheiro. Ou, se precisamos chegar descansados, o que oferece menor risco talvez seja uma embarcação a motor, e não a remo. Se simplesmente queremos chegar lá, mais bagagem pode aumentar o risco de naufragar no caminho.

Na dúvida, sempre escolha o que oferece menor risco. O melhor não é o “top”, mas simplesmente estar seguro de se alcançar aquilo que se espera.

Na sociocracia, chamamos de driver uma necessidade em um certo contexto. Nessa metáfora da travessia do rio, a necessidade é representada pelo local onde queremos chegar com uma bagagem em um dado momento. O contexto são as condições que temos para atravessar o rio.

Então, nos círculos sociocráticos, o norte é construir uma proposta minimalista, que oferece menor risco, mas forte o suficiente para satisfazer o driver. Uma decisão simplesmente.