Fotos do arquivo do Terra Luminous

Treinamento em Lideranças Sociocráticas (SOLT 4)

Círculo de ESTUDO DE CASO:

Alcineide Magalhães

Anna Carolina Campagnac

Angela Neiva de Mattos

Felipe Novaes Rocha

Fernanda Lenz 

Ingrid Silveira 

Mariana Gonçalez 

Ricardo Barcellos

Em 2015, a partir da criação de um Centro de Eventos, surge a comunidade Terra Luminous. Dois anos depois, seria fundado o Instituto Terra Luminous no Município de Jequitibá – São Paulo. 

 

   Sua missão:

Nutrir uma comunidade sustentável de pessoas que compartilham valores, aprendizados, riscos e prosperidade, em interdependência e conexão com a natureza, que acolhe, serve, nutre e catalisa processos de transformação pessoal, ampliação da consciência coletiva e regeneração ambiental.

 

   Seu objetivo: 

Viver em comunidade baseado nas 3 éticas da permacultura com projetos socioambientais e vivências que representem nossa realidade sonhada e vivida e que tragam efetivas estratégias de sustentabilidade financeira e autossuficiência alimentar.

 

A comunidade inicial gerou duas formas de organização, sendo a primeira uma empresa privada que administra o Centro de Eventos, e a segunda uma organização sem fins lucrativos Instituto Terra Luz (nome de fantasia Terra Luminous). O Instituto administra o Centro de Eventos que tem a estrutura de hotelaria com restaurante e acomodações para retiros e cursos. Empresa e ONG são geridas pela comunidade, que conta atualmente com cerca de 15 pessoas, a maioria delas associadas ao Instituto.

Além dos cursos, o Instituto conta com programas de voluntariado: no programa Beija Flor o convidado pode vivenciar a comunidade no período de uma semana a um mês; o Programa Tatu está projetado para o período de 3 meses a 1 ano. 

 

   A escolha do modelo sociocrático

Desde o início, a comunidade adotou o modelo da Sociocracia, na linha da Sociocracia clássica. Um membro da organização, que na época coordenava o Instituto Biorregional do Cerrado – IBC, inscreveu-se em 2014 no primeiro curso da Sociocracia Brasil em 2014 e iniciou a implantação da sociocracia no IBC. Em 2015, deixa Brasília e traz a experiência adquirida para a comunidade Terra Luminous, onde já encontrou outras pessoas familiarizadas com a sociocracia. Alguns meses depois, fazem a opção pela Sociocracia 3.0 e consolidam a adoção deste tipo de governança. A S3 é implantada em combinação com a Comunicação Não Violenta (CNV). 

 

      A estrutura

Os pilares da Terra Luminous
são a sociocracia, a permacultura e
a CNV, mas outras linhas teóricas
são utilizadas como apoio, como a
Teoria U, a Gaia pedagogia, a Pedagogia da Cooperação e a Holacracia.

São 7 círculos ligados ao Círculo Geral. Esses círculos, por sua vez, podem se subdividir em sub círculos, com cerca de 39 papéis (conforme esquema abaixo). A estrutura é dinâmica e sofre constantes variações. 

 

    O que deu certo na utilização das práticas sociocráticas

Primeiramente. o poder fica melhor distribuído e os papéis, definidos com clareza,  ganham autonomia. A prioridade é levantar as necessidades percebidas pelo grupo, secundarizando-se a formulação de estratégias. Assim, quando alguém traz uma proposta, já se tornou um hábito perguntar qual é a tensão e qual é a necessidade.  As decisões são sempre tomadas por consentimento, as objeções são tratadas como oportunidades e já não são confundidas com preocupações ou preferências pessoais. Nas discussões são feitas rodadas, onde as rodadas de considerações são rápidas entrando logo no levantamento das objeções. Uma vez por semana reúnem-se todos os membros da comunidade para uma reunião de governança no círculo geral. Cada um dos demais círculos também tem suas próprias reuniões de governança dentro de suas esferas de atuação e suas reuniões operacionais.

As tensões geram drivers que são colocados para discussão, das quais podem resultar novos círculos, papéis ou acordos. Às vezes já existe uma proposta formulada, e quando não existe, a proposta é formulada no momento da discussão. Vários acordos já foram firmados e devem ser aceitos pelos novos ingressantes no grupo. Às vezes, os acordos são reformulados na ocasião da sua avaliação.  

Em geral, não são usadas práticas terapêuticas, mas mensalmente ocorre uma sessão de prática espiritual e terapêutica através da ayahuasca. A CNV e a participação em cursos no Centro de Eventos são outras formas de melhorar o autoconhecimento dos membros da comunidade. 

 

   Os desafios

     Inicialmente o grupo era muito pequeno, em um total de 6 pessoas, e essas tinham que se encarregar de 8 domínios (hoje são 5 domínios). O modelo sociocrático teve que ser adaptado para essas condições iniciais. Como exemplo, a organização não utilizava dos elos duplos, porque o tamanho da comunidade é reduzido, não sendo possível de se estruturar dessa forma.

Há um permanente esforço em levar o conhecimento da sociocracia à comunidade. São realizados cursos anuais de reciclagem tanto para novos como para antigos membros. É um desafio garantir o mais amplo entendimento dos conceitos da sociocracia e seus elementos, como o consentimento e a objeção. Talvez por isso nunca houve resistência para a adoção do modelo. Como há mudanças frequentes de pessoas na organização, é preciso sempre cuidar para que os novos membros assimilem os conceitos da autogestão. Por vezes, isso sobrecarrega os membros mais antigos, que precisam constantemente ensinar e ajudar os novos membros ao entendimento do modelo adotado pela comunidade.

Além das reciclagens anuais, a técnica de facilitação é aprendida pelo rodízio de facilitação nas reuniões. Um co-facilitador mais experiente pode apoiar novos facilitadores durante esse processo. 

Algumas vezes ocorrem reclamações quanto à alta frequência das reuniões e por isso procura-se otimizar ao máximo o tempo despendido para estas e balancear a quantidade de tempo para reuniões e ações.

Um outro desafio está ligado a prática de avaliações. Até por questões culturais, prioriza-se as demandas do dia a dia, que tendem a ocupar muito tempo e as avaliações ficam para trás. O foco no backlog , que costuma ter um excesso de demandas contribui para a resistência a avaliações, sobretudo quanto aos papéis.  

    

    O cuidado com as relações

Não há um círculo específico para tratar das relações; ao invés disso, foi criado um papel, que está ligado ao Círculo da Comunidade. A função desse papel é garantir que toda semana haja um tratamento das relações. 

No cuidado com as relações, foi adaptada a ferramenta Fórum. Unindo o Fórum à CNV, foi criada a dinâmica chamada de UKITAVIVO. Funciona como um espaço para avaliar as relações e as tensões que estão gerando dificuldades para o grupo ou individuais. É uma prática semanal onde todos participam.

Os conflitos são tratados em diversos acordos. Se há divergências entre duas pessoas, e estas não conseguem resolver o conflito em uma conversa, o assunto é levado para o UKITAVIVU. 

 

    Programas ou plataformas digitais  

O Google Drive é o aplicativo utilizado como repositório de atas e documentos.

Um grupo de WhatsApp,  onde apenas uma pessoa tem permissão para escrever, divulga os resultados das reuniões, inserindo os acordos e propostas aprovadas. Em outro grupo de WhatsApp são depositadas as tensões para que sejam inseridas na montagem da pauta. É nesse grupo que o secretário faz o backlog. Dessa forma, o WhatsApp funciona para o backlog e para o fluxo de informações. A transparência de todo processo é garantida através do uso de um backlog adicional, físico, que fica na sala de trabalho e nas publicações Google Drive.

Tentativas de uso do trello e do glassfrog foram abandonadas. 

 

    Técnicas utilizadas 

Além da sociocracia e da CNV, outras técnicas utilizadas ocasionalmente são o Dragon Dreaming, o Kanban, as Metodologias Colaborativas, o Design Thinking e o Brainstorming. Dentre as Metodologias Colaborativas, utilizam World Café, Open Space, Pró Action Café, Investigação Apreciativa e Danças Circulares.

 

     Partilha de recursos

A comunidade utiliza um modelo alternativo de partilha de recursos, através de uma moeda local chamada Vagalume. Todas as atividades desenvolvidas são remuneradas com essa moeda. Além disso, também se utiliza o Money Pile para distribuição de dinheiro, quando alguém precisa de Real para satisfazer alguma necessidade (tratamento médico, viagem, etc.), mas nesse caso deve se obter a concordância dos demais. Portanto, quando há pagamento em Real, o princípio utilizado é o da lógica das necessidades, e não mais o da equivalência.

Além do uso interno, a moeda Vagalume também está sendo utilizada em alguns ambientes externos: no pagamento de prestação de serviços externos, especialmente nas áreas jurídica e de comunicação, em uma cervejaria local e algumas pousadas de conhecidos. Para que isso seja possível é necessário haver parcerias com essas organizações. 

 

     Conclusão

 

Fotos do arquivo do Terra Luminous