SOLT EXPERIENCE
O SOLT 10 foi para nós muito mais do que um curso.  Foram três meses de uma experiência de aprendizagem na prática, onde tínhamos que aplicar os conceitos compartilhados em um projeto real.  Recomendamos a todos que desejam saber mais sobre a autogestão em sociocracia busquem esse aprendizado no SOLT11.

Além de conviver com pessoas especiais que trilharam juntas esse percurso, aprendemos muito com nossas anfitriãs Sanket, Anne e Henny.

O propósito de nosso projeto no  Círculo de Ativismo Social, era ter os movimentos sociais ativistas brasileiros mapeados e sua relação com a autogestão identificada.

Nós nos distribuímos em papéis para organizar tudo isso e cada papel tinha suas responsabilidades.  Basicamente: 

– Foi feita uma pesquisa com movimentos e organizações de impacto social  para verificar o modelo de governança e oportunidades de práticas da autogestão. 

– Criamos posts no instagram da sociocracia brasil falando sobre conceitos e praticas sociocracia e sobre nosso processo de aprendizagem

– Criamos textos no blog sobre sociocracia na nossa visão

– Criamos posts de alguns  movimentos sociais entrevistados

e agora, finalizamos com um resumo com os dados que conseguimos coletar x nossa visão.

DESCOBERTAS

Ao mapearmos os movimentos, 9 responderam à nossa pesquisa. (1 empresa e 8 organizações do terceiro setor) compartilhando conosco informações sobre sua gestão e governança.  

Fizemos algumas  descobertas, entre elas: 

1 – Algumas organizações aplicam ferramentas e alguns conceitos  de autogestão na tentativa de trazer mais horizontalidade, transparência e escuta, de forma intuitiva, ou seja, mesmo não seguindo alguma metodologia específica de autogestão, .

Enquanto algumas organizações conhecem e estão em processo de implementação de metodologias como a sociocracia, mas ainda não contemplam todos os princípios.

 2 –  Traçamos alguns paralelos::

  • 3 demonstraram conhecimento do modelo sociocrático e estão em processo de implementação 
  • 100% s trabalham com a liderança distribuída.
  • 100%  realizam reuniões estruturadas (pautas elaboradas pré-reunião com a colaboração de todas as pessoas envolvidas). Apenas uma instituição diz não ter uma pessoa responsável pela facilitação nas reuniões (Grupo Juçara).
  • Na sociocracia, as reuniões operacionais acontecem semanalmente e as de governança com maior espaçamento (mas em uma reunião operacional, podemos mudar para modo governança sempre que alguma tensão assim exigir). Os movimentos mapeados preferem reuniões mensais, se organizando de outra forma nas comunicações do dia-a-dia:
pesquisa SOLT10
  • 100%  apresentam o princípio da transparência e equivalência (acesso aos documentos e voz/participação).
  • Tensões são acolhidas em todas as instituições, mesmo que em formatos diferentes. 
  • 5 instituições realizam avaliações de papéis/cargos, projetos e resultados, porém não de forma estruturada.
  • A maioria prefere o whatsapp para se comunicar:


DESAFIOS E OPORTUNIDADES

Lembramos que sem qualquer pretensão, essa é apenas a nossa visão:

1 –  Parece haver um ambiente propício para implementação da sociocracia, pois foram identificados alguns  princípios e ferramentas da autogestão, mesmo que não tenham se utilizado dos termos sociocráticos per se. Os desafios levantados podem ser tensões, que quando acolhidos poderão caminhar para a implementação de processos autogestionáveis da sociocracia e alavancar a eficácia.

2 – As reuniões podem ser ainda melhores se forem aplicados os modelos de reuniões operacionais e de governança, com a constância semanal e duração pré determinada, trazendo mais agilidade e transparência na gestão.

3 – Aquelas que ainda não utilizam o modelo de tomada de decisão por consentimento, podem encontrar soluções no princípio da equivalência, dando mais voz e assim, mais comprometimento das pessoas.

4 – Alguns dos desafios citados como, compromisso, ritmo, motivação podem estar diretamente relacionados com a dificuldade de gerar sustentabilidade financeira que é o desafio mais citado na pesquisa.

Alguns princípios da autogestão tem potencial de contribuir para mitigação destes desafios como: Autonomia e avaliação, por exemplo:

Uma pessoa que exerce um cargo operacional pode se sentir desmotivada a participar de decisões mesmo que tenha abertura para isso, pois não se sente capacitada.

Uma prática possível neste contexto é encorajar a rotação entre papéis que estimulem habilidades novas, aliadas a um processo de avaliação onde o grupo dá suporte e compartilha experiências.

Essa cultura de apoio mútuo cria um ambiente seguro, e a tendência é existir maior motivação para participar dos processos, e consequentemente elevar a diversidade de vozes e perspectivas, potencializando a inteligência coletiva.

Deixamos nosso agradecimento especial  aos movimentos que consentiram em compartilhar dados sobre sua gestão.